A reprodução acima é de um raro cartão postal do início do século passado (1915), tendo a foto sido obtida do alto do Morro do Cantagalo.

Vê-se à direita, paralela à praia, a então Rua Copacabana, atual Avenida Nossa Senhora de Copacabana (desde 1939), à época ainda com um canteiro central.

O quadrilátero vazio ao centro, um gigantesco areal ainda por urbanizar, tinha como limites as atuais Ruas Santa Clara, Barata Ribeiro, Constante Ramos e Avenida N. Sra. de Copacabana. No seu interior foram abertas as atuais Ruas Dias da Rocha e Raimundo Correia, e a Travessa Angrense.

A enorme área pertencia aos irmãos Abelardo, Carlos, Fernando e Constante Gardone Ramos, que tinham como sócio Angelo Soares de Proença Rosa. Em fins de 1914 eles doaram à Prefeitura o terreno necessário para que a Barata Ribeiro fosse prolongada desde a Santa Clara até a Constante Ramos.

Na realidade, os Gardone Ramos, ao final do século 19 e início do século 20, possuiam toda a área entre as Ruas Santa Clara e Constante Ramos, da Avenida Atlântica ao Morro dos Cabritos, incluindo a parte em que mais tarde, em 1928, seria aberta a Rua Hermezília (filha de um dos Gardone Ramos), e que teve seu nome mudado para Cinco de Julho em 1931, em referência à insurreição dos Dezoito do Forte, ocorrida em 5.7.1922 nas areias de Copacabana, com a participação, entre outros, de Siqueira Campos e Eduardo Gomes.

O trecho da Barata Ribeiro que aqui aparece no canto inferior esquerdo, entre Constante Ramos e Bolívar (antiga Guimarães Caipora), chamava-se Rua Doutor Pereira Passos e já existia antes de 1900.

Foi aberto em terras pertencentes ao 2º Barão de Ipanema, o capitalista José Antonio Moreira Filho, que havia criado a Villa Ipanema, atual bairro de Ipanema, e a José Luís Saião Guimarães Caipora, que deu seu nome à rua, mais tarde substituido por Bolívar, o libertador da América Espanhola ao chefiar as revoluções que tornaram independentes a Venezuela, a Colômbia, o Panamá, o Equador e a Bolívia.

A Rua Barão de Ipanema, quando foi aberta no final dos anos oitocentos, era então conhecida apenas como Rua Ipanema e em 1936 teve sua denominação mudada para homenagear um poeta pernambucano, tornando-se a Rua Carlos Portocarrero, mas em 1938 recebeu o nome que a identifica até hoje.

Quando a Barata Ribeiro foi prolongada até a Xavier da Silveira (antiga Rua Doutor Furquim Werneck) em 1917, toda a rua, desde o seu início no término da atual Avenida Prado Júnior (antiga Rua Goulart), recebeu o nome atual, em homenagem ao antigo prefeito do então Distrito Federal em 1892-93, o médico Cândido Barata Ribeiro (BA 1843 - RJ 1910).

Posteriormente, em 1926, foi ampliada até a Rua Santo Expedito (Djalma Ulrich desde 1931) e finalmente em 1960 foi-lhe adicionado o pequeno trecho final, de acesso ao recém-aberto Túnel Prefeito Sá Freire Alvim.

Bem ao centro da foto, vê-se a Rua Leopoldo Miguez, entre Constante Ramos e Bolívar, aberta em 1894 como Rua Floriano Peixoto. Em 1917 teve o seu nome mudado para o atual, numa homenagem ao autor do Hino da Proclamação da República. Em 1926 foi prolongada até a Djalma Ulrich.

Na esquina da Avenida N. Sra. de Copacabana com a Bolívar, aparece sem maior destaque a Praça Santa Leocádia, um terreno de 2.500 m² (50 x 50 m) doado em 1893 ao Governo por Guimarães Caipora e que foi vendido a particulares em 1935 durante a administração do prefeito Pedro Ernesto, para ali ser construído o Cinema Roxy.

O nome Santa Leocádia terminou sendo dado à uma travessa da Rua Pompeu Loureiro, a mais próxima da Praça Eugênio Jardim. José Antonio Gomes Vilela era diretor da Cia. Ferro-Carril do Jardim Botânico (a dos bondes) e recebera em 1873 o título honorífico de Barão de Santa Leocádia, em Portugal.

O local da praça está identificado pela letra <P> no lado direito inferior da fotografia.

Na esquina da avenida com a Barão de Ipanema existe hoje uma agência do Banco do Brasil, onde já foi nos anos 1970-80 uma filial da Confeitaria Colombo, local de reunião, tanto ali como na matriz, na Rua Gonçalves Dias, da fina flor da sociedade carioca, principalmente para o "chá das cinco".  Na época da foto, em 1915, ali ficava uma estação de bondes da linha que ia até a Igrejinha, no hoje Posto Seis.